30 de jul de 2010

Sismo dos Açores - Aprendendo a Viver Bem

Nunca me esquecerei do terramoto que assolou os Açores no dia 1 de Janeiro de 1980. A destruição foi terrível!  A catástrofe só não foi maior em termos de vidas porque o sismo ocorreu no meio da tarde e a população estava nas ruas visitando os amigos e parentes para desejar bom ano.

Lembro-me de andar pelas ruas de algumas aldeias completamente destruídas e o que chamava a atenção era a precariedade das construções. Pedra sobre pedra, sem cimento, sem estrutura de fixação. Pareciam baralhos de cartas prontos a cair quando um tremor viesse. E realmente caíram e foi tremenda a queda.

Logo após o terramoto tornou-se lei a construção anti-sísmica. Era dispendiosa, demorada e exigente, mas passou a ser obrigatória. Os alicerces tinham que ser mais fundos e com muita pedra e cimento. As paredes deveriam ter uma cinta de cimento e ferro a cada metro de altura o que gastava dinheiro e trabalho mas originava construções realmente fortes. O objetivo era claro: vamos construir de tal modo que possamos resistir quando o próximo sismo vier.

E na vida? Também na vida há terramotos. De vários graus diferentes. Uns mais ou menos sofríveis, outros de consequências terríveis. Quando vemos vidas destruídas por terramotos vários verificamos que nelas também a qualidade da construção faz toda a diferença. Como poderemos elaborar construções anti-sísmicas para nossas vidas?

A Bíblia nos dá muitas direcções para isso. Um dos textos mais claros sobre o assunto é o que nos vem do sábio que escreveu os provérbios. No capítulo 4 versos 23 a 27 encontramos 4 passos ou regras para construir uma vida a prova de terramotos. Vejamos: v. 23 Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida. V24 Desvia de ti a falsidade da boca e afasta de ti a perversidade dos lábios. V25 Os teus olhos olhem direito, e as tuas pálpebras, directamente diante de ti. V26 Pondera a vereda dos teus pés, e todos os teus caminhos sejam rectos. V27 Não declines nem para a direita nem para a esquerda; retira o teu pé do mal.

1) Coração (Fonte da Vida)
O coração aqui fala da sede do ser, a sede dos pensamentos que guiam nosso viver diário. Guardar o coração é guardar a fonte dos pensamentos. Como Jesus ensinou, é da mente que provêm todo tipo de mal (Mateus 15: 18 e 19). O homem primeiro maquina, depois faz. Como usamos nossos pensamentos é fundamental para a vida.

Se meus pensamentos são maus, lascivos, tendenciosos, preconceituosos, voltados para o mal ou simplesmente tolos devaneios sem propósito e direcção, é natural que minha vida reflicta isso. Como viver bem se não controlo minha vida interior? Como tomar boas decisões. Ficar firme diante de dificuldades, se minha mente só pensa tolices? Como prosperar na vida se meus pensamentos são gastos com coisas vãs e sem consequência?

Paulo ensinou que deveríamos levar todos os pensamentos cativos a Cristo (II Coríntios 10:5). Somos livres para escolher em que gastamos nosso pensamento. Podemos alimentar pensamentos, ideias e reflexões ou mata-los à nascença. Devemos crescer no Senhor na disciplina de guardar nossos corações, nossa mente para as coisas de valor porque daí provêm a vida. Corações sadios geram actos sadios e vidas abençoadas. Guardemos nossos pensamentos.

2) Boca (Fonte de Relacionamentos)
A vida é relação. A vida humana é feita de uma teia de relacionamentos. O Criador nos fez assim. Precisamos nos relacionar. Ora, relacionamentos dependem de comunicação. Não há como ter relacionamentos sem uma boa comunicação. E comunicação depende em primeiro lugar de palavras, da boca, do que falamos e ouvimos.

Construir vidas saudáveis e resistentes a terramotos passa por ter relações sólidas. Quantas vezes verifica-se pessoas que caem estrondosamente porque não souberam criar boas relações. Não tinham amigos, não tinham relações saudáveis. Estavam sozinhas no mundo e na hora do aperto não tinham quem lhes valesse.

Relações saudáveis dependem de lábios santos. Bocas separadas que entendem a importância da palavra. A palavra edifica, mas também destrói. Ela vivifica mas também mata. Tudo depende de como é usada. Nós sabemos o quanto nos custa uma palavra negativa, uma critica, um desprezo, uma brincadeira de mau gosto. Porque então não entendemos que isso também tem efeito terrível sobre os outros.

Os lábios governam as relações, portanto CUIDADO! Pense antes de falar, meça suas expressões. Modere suas brincadeiras. Lembre-se de elogiar, agradecer, mostrar apreço. Palavras sábias ganham amigos, edificam vidas, fortalecem relações. Alguém assim está construindo para os sismos da vida.

3) Olhos (Porta de Entrada)
Se os pensamentos são o segredo das acções, os sentidos são o que alimenta os pensamentos e entre estes os olhos são fundamentais. A maioria das coisas que entra em nossa vida entra por meio dos olhos e é por isso que somos bombardeados com publicidade o tempo todo. Não se gastam fortunas em outdoors em vão. Aqueles segundos em que você vê o anúncio chegam para fazer diferença.

Sendo os olhos a porta de entrada do coração que cuidado deveriam merecer. Pense em termos de dieta. Se o que entra é gordura, doces, fritos, enlatados, que tipo de saúde o individuo vai ter? Se o que entra pelos olhos é violência, pornografia, deboche, catástrofes, desgraças e terror, que tipo de saúde mental pode ter este indivíduo? Ficamos admirados quando vemos criminosos tão novos s cometer barbaridades. Veja a programação da TV e entenderá por quê. Veja os desenhos animados e saberá por quê.

Uma vida interior rica exige uma dieta saudável para os olhos. Devemos escolher o que vemos. Pagamos (por vezes caro) para alimentar mal nossas mentes. Perdemos (realmente é perda) tempo vendo coisas que nada acrescentam e ainda nos fazem mal. Proteger os olhos é questão de vida ou morte. É a diferença entre construir pedra sobre pedra ou própria para os sismos da vida. Paulo chamava a atenção dos crentes de Corinto para concentrarem sua atenção no que valia a pena (II Coríntios 4:18). Se quer uma vida saudável guarde seus olhos.

4) Pés (Fonte de Direcção)
Os pés, biblicamente, indicam a direcção que tomamos. Afinal, para nos deslocarmos é preciso que os pés "nos levem". E aqui focamos um último ponto fundamental nas vidas saudáveis e edificadas para resistir a terramotos: o propósito.

Algo que marca a geração moderna de um modo particular é a vida sem direcção, sem razão, sem propósito. As pessoas não sabem o que estão fazendo aqui neste planeta, nesta vida. Vivem ao acaso, ao sabor das modas, dos ventos, dos acontecimentos. Sem fundamento e sem direcção não admira que o mais pequeno sismo seja capaz de os abalar profundamente e deixa-los totalmente desorientados.

A palavra nos chama a ponderar a direcção de nossas vidas. Para onde estamos indo. Devemos saber. Precisamos orientar nosso viver, ter rumo certo, alvos definidos. Qualquer vida digna, que tenha ficado na História como exemplo a ser seguido, tinha certamente objectivos. Se não tivermos rumo como saber se estamos progredindo? Sem alvos como saber se já chegamos? Sem propósito como saber para onde seguir?

A Bíblia nos ensina a ter alvos maiores como viver para a Glória de Deus, fazer o bem a todos, edificar a Igreja, Ganhar almas e também alvos mais específicos. Davi queria construir um templo, Neemias desejou edificar as muralhas de Jerusalém, Paulo queria evangelizar regiões inteiras de seu mundo e escreveu aos Romanos com o alvo de ir a Espanha. Jesus, nosso exemplo maior, viveu sempre com a cruz em seu horizonte e por isso pode dizer ao entregar a vida: Esta Consumado.

Definir os propósitos de nosso viver é algo que se faz em oração e sob a direcção do Espírito Santo, mas precisa ser feito. Verifiquemos nossos rumos, sigamos em frente. Que pela graça possamos afirmar como Paulo "... Uma coisa faço... prossigo para o alvo..." (Filipenses 4:13 e 14).

Conclusão:
Construções anti-sísmicas custam mais caro, dão mais trabalho, exigem maior cuidado, gastam mais material. Mas permanecem. São feitas para suportar os sismos e ficar de pé. Nossas vidas podem ser assim. Guardando nossos pensamentos, cuidado de nossas palavras, protegendo nossos olhos e estabelecendo propósitos podemos viver de modo a louvar a Deus e firmados em Cristo suportar os terramotos da vida.

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